PADRE QUEIROZ

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Histórias de vida-Dezembro 13



 HISTÓRIAS DE VIDA-DEZEMBRO 13

Pio XII desafia os casais

Um dia, o Papa Pio XII estava fazendo uma palestra para casais e para namorados, todos juntos, em um grande auditório que existe no Vaticano.

Observando a plateia, ele viu que os namorados estavam juntinhos, de braços dados, fazendo carinho um no outro, ao passo que os casados estavam, um para lá e outro para cá, sem nenhuma demonstração de afeto.

O Papa ficou triste e fez um desabafo: “Eu pergunto a vocês: O sacramento do matrimônio une ou separa o casal? Observando daqui, vejo que aqueles que não receberam o sacramento demonstram afeto, ao passo que os que o receberam não demonstram!”

E Pio XII fez um apelo: “Vamos provar para os filhos e para a sociedade que o sacramento é uma graça que une, e não tenham vergonha de mostrar publicamente esse amor!”

Claro que o sacramento é uma graça que traz a união e aumenta o amor do casal. O problema é que nem sempre colaboramos com a graça.

Maria Santíssima é a flor mais bela do jardim que é a Igreja. Ela enfeita, alegra e perfuma a Comunidade católica. Mãe das famílias, rogai por nós.


O cego de muita fé

Certa vez, um poeta e um artista estavam examinando uma pintura de um célebre pintor, retratando a cura do cego de Jericó (Mc 10,46-52).

O artista perguntou ao poeta: “O que lhe parece mais notável nesta pintura?” O poeta respondeu: “Tudo é excelente. A forma dada a Cristo, as pessoas agrupadas, a expressão dos rostos...”

Já o artista achou o toque mais importante em outro lugar. Apontando para a estrada que passava ao lado, ele disse: “Você vê uma bengala descartada ali?”
- “Sim. Mas o que tem a ver isso?”
- “Meu amigo! O cego estava sentado ali na beira da estrada, com sua bengala na mão. Mas quando ouviu falar que era Jesus que passava, teve tanta certeza que Jesus ia curá-lo, que jogou a bengala longe e foi caminhando ao encontro do Senhor.

Ele tinha tanta certeza que Jesus ia curá-lo, que descartou a bengala e caminhou, como se já estivesse recebido a graça.”

Que nós também tenhamos tanta fé, a ponto de caminhar como se víssemos o invisível.

Um dia, o apóstolo Pedro, obedecendo ao chamado do Mestre, pulou do barco e caminhava sobre as águas ao seu encontro. Entretanto, quando estava no meio da distância entre Jesus e o barco, sentiu medo, e imediatamente começou a afundar. Ele pediu socorro, Jesus veio e o salvou, mas lhe deu uma bronca: “Homem pobre de fé!” (Cf Mt 14,22-33).

Maria Santíssima acreditou tanto nas palavras do anjo Gabriel, que já começou a colaborar com a aurora da humanidade, indo ajudar a prima grávida. Que ela nos ajude a termos também tanta fé, que já demos agora o primeiro passo, colaborando com Cristo na construção do seu Reino.


A líder católica chamada Penha

Certa vez, uma jovem, chamada Penha, que era da cidade, casou-se com um rapaz da roça. Foi morar no sítio do marido, que ficava bem distante da cidade. A região tinha muitas famílias, todas católicas, mas abandonadas. Elas não se reuniam aos domingos.

A Penha logo percebeu: Faltavam líderes, pessoas de iniciativa. Ela resolveu fazer isso, mas começou devagar, apenas rezando o terço nas casas. E o povo foi gostando dos encontros e das reflexões sobre a Palavra de Deus. De repente, a Comunidade surgiu naturalmente.

Hoje há líderes dessa Comunidade que participa até das reuniões diocesanas de pastoral.

A Penha foi esperta. Não falou de Comunidade logo no início, porque o povo não sabia o que era isso.

Hoje, o povo daquela Comunidade pode dizer à Penha o mesmo que o povo de Sicar disse à samaritana: Não é mais por causa de você que vivemos em Comunidade. Nós sabemos que ela é Cristo vivo presente no meio de nós (Cf Jo 4,39-42).

Que o bom Deus suscite entre nós líderes como a Penha.

Maria Santíssima é o modelo mais bonito de resposta ao chamado de Deus: “Eis aqui a escrava do Senhor. Faça-se em mim conforme a tua palavra”. Que ela ajude a nós, seus filhos e filhas, a amarmos a nossa Comunidade.


O pai pedagogo

Havia, certa vez, um pai de família que já estava velho, e sentiu que em breve ia morrer. Chamou seus três filhos, deu a cada um dez moedas de prata e lhes disse: “Aquela sala ali está vazia. Eu peço a cada um de vocês que, com esse dinheiro, encha a sala. A melhor iniciativa será premiada”.

O primeiro saiu e comprou algodão. Encheu a sala de algodão. O segundo comprou penas, penas bonitas de diversas aves, e espalhou-as, cobrindo todo o piso da sala. O terceiro comprou uma lamparina, acendeu-a e a colocou no meio da sala, enchendo-a de luz.

O pai elogiou a criatividade dos três. Mas deu o prêmio ao último, porque foi um sábio.

A fé é uma luz derramada por Deus em nossos corações. Ela é a nossa maior riqueza e, com ela, podemos iluminar o mundo.

“Vós sois a luz do mundo... Não se acende uma lâmpada para colocá-la debaixo de uma caixa, mas sim no candelabro, onde ela brilha para todos os que estão em casa” (Mt 5,14-15).


Esmolas pedagógicas

Havia, certa vez, três homens muito pobres que sempre iam a uma padaria pedir pão. Um dia, o dono da padaria resolveu fazer um teste com eles.

Quando os três chegaram, ele foi lá dentro e voltou, com o auxílio dos funcionários, trazendo três sacos cheios. Um continha pães, o outro farinha de trigo, e o terceiro sementes de trigo.

Colocou os sacos na frente dos homens, contou o que havia dentro e pediu que eles escolhessem. Um, apressadamente, pegou o saco de pães e foi embora contente. Outro pegou o saco de farinha e também foi embora feliz.

O terceiro não teve escolha. Ficou com o saco de sementes. O padeiro perguntou se ele estava triste por isso. Com um largo sorriso, o homem respondeu: “De modo nenhum. Vou plantar estas sementes e terei pães em casa por muito tempo”. Agradeceu e foi também embora com o saco de sementes nas costas.

Deus não costuma dar os pães já prontos, nem a farinha. Ele nos dá as sementes e o terreno para plantarmos. “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome” (Jo 6,35). “Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Quem come deste pão viverá eternamente” (Jo 6,51).


Vai à Missa, mas é nervoso

Havia, certa vez, um pai que era muito nervoso com seus filhos. Eles trabalhavam juntos, e o pai só faltava bater neles.

Um dia, um dos filhos lhe disse: “Pai, o que adianta o senhor ir à Missa e comungar todos os domingos, se nos trata desse jeito?” O pai respondeu: “Se eu não fosse à Missa e não comungasse, já teria esganado vocês todos”.

Aquele homem era nervoso por temperamento. Procurava dominar-se, mas mesmo assim falhava. Se não fosse o alimento espiritual da Eucaristia, ninguém o suportaria.

Entre muitos títulos, Maria Santíssima é chamada de Desatadora dos nós. Ela, com a ajuda de Deus, desata todos os nós da nossa vida, especialmente o principal deles que é o pecado.


Pai quis dar aos filhos o que ele não teve

Havia, certa vez, um pai que quis dar a seus filhos o que ele nunca teve. Começou então a trabalhar quinze horas por dia. Para ele, não existia sábado nem domingo. O seu único objetivo era ganhar dinheiro, e para isso não parava.

No final da vida, quando estava na cama, desenganado pelos médicos, alguém lhe perguntou: “O senhor conseguiu realizar o que queria?” Ele respondeu: “Claro que sim! Eu nunca tive um pai ausente, angustiado, áspero, sempre de mau humor, e eles tiveram”.

Os filhos aprendem mais com os olhos do que com os ouvidos. Eles imitam, mais do que obedecem. Podem obedecer enquanto crianças, mas, quando crescem, o que vale é o exemplo dos pais. Vamos dar à geração mais nova a maior riqueza: o nosso testemunho.

Muitos elementos da personalidade de Jesus, ele os recebeu de sua mãe, que por sua vez havia recebido de seus pais. Joaquim e Ana, e a filha Maria, rogai por nós.


Pe. Orlando de Morais

Pe. Orlando de Morais foi o primeiro redentorista brasileiro da Província de S. Paulo. Era goiano, natural da cidade de Bonfim. Trabalhava no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida.

Um santo homem de Deus. Nunca teve boa saúde. Foi nomeado bispo, mas recusou por esse motivo. Sua doença agravou-se.

Dia 07/12/1924, pressentindo que a morte estava próxima, arrastou-se até o quarto do Superior, Pe. Francisco Wand, e pediu-lhe a bênção para morrer. Pe. Francisco lhe disse: “Nem hoje nem amanhã, que é dia de festa e de muito trabalho. Espere um pouco”.

Nove dias depois, ele voltou ao quarto do Superior, pedindo novamente a licença “para viajar”. Pe. Francisco respondeu: “Agora sim”. Pe. Orlando voltou ao seu quarto e entrou em agonia, vindo a falecer horas depois. Era o dia 16/12/1924.

Um pouco antes de sua morte, Pe. Francisco, que bem conhecia as virtudes do seu súdito, pediu-lhe que, chegando ao Céu, lhe mandasse um conto de Réis, para pagamento de uma conta urgente da Basílica. Após o enterro, uma senhora desconhecida apresentou-se no convento, entregando ao Superior uma rosa feita com cinco notas de duzentos mil Réis cada.

Felizes os pais do Pe. Orlando, em Bonfim, GO, que lhe transmitiram a fé e a santidade!

Ninguém precisa pedir licença para morrer, pois a vida pertence a Deus. Entretanto, a atitude do Pe. Orlando não deixa de ser um exemplo de busca da vontade de Deus, manifestada pelos superiores. “Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe” (Mc 3,35).


A ciência desligada da vida

Certa vez, um pastor estava no campo, cuidando de um enorme rebanho de ovelhas. Ao lado passava uma estrada asfaltada.

De repente, um carro parou. Saiu do volante um rapaz, com jeito de distinto, e disse ao pastor: “Se eu lhe disser quantas ovelhas existem neste rebanho, o senhor me dá uma?” O pastor respondeu: “Tranquilo”.

O rapaz pegou o seu not-book, conectou-o na internet, acessou um programa especial de contagem de animais pelo satélite e, em poucos segundos, apareceu na tela o número: Havia ali 1586 ovelhas.

“É exatamente este número”, confirmou o pastor. Então o jovem pegou uma ovelha, pôs no carro e já estava indo embora, quando o pastor o chamou e disse: “Moço, se eu lhe disser algo da sua vida particular, você me devolve a ovelha?” “Sim”, respondeu ele. O pastor falou:

“Você leva uma vida bastante isolada, tanto das pessoas como dos animais”.
- “Acertou de cheio”, disse o jovem. “Mas me diga uma coisa: Como que o senhor sabe disso?” O pastor respondeu:

“Porque você teve um comportamento estranho. Parou aqui sem necessidade, contou minhas ovelhas sem eu pedir, e me cobrou uma ovelha para dizer o que eu já sabia. E não entende nada de ovelha, porque o que você pegou não é ovelha, mas o meu cachorro”.

Rapaz tão inteligente em umas coisas, mas tão ignorante em outras. Quantos jovens de hoje estão na mesma situação!

Há muitas maneiras de ser possuído pelo demônio. Apegar-se demasiadamente à técnica e à ciência, e se esquecer da caridade e do respeito ao próximo, é uma delas.

Maria Santíssima acolhia sempre seu Filho com amor de mãe. Que ela nos ajude a recebê-lo bem e segui-lo, renunciando a tudo o que é contrário a ele.


A onça de olhos virados

Havia, certa vez, uma onça que sabia de tudo o que acontecia nos matos. Tudo ela percebia e criticava.

Um dia, aquela onça começou a sentir a visão meio cansada, enxergando pouco, e procurou um oftalmologista. Este resolveu fazer uma cirurgia nos olhos dela. Terminada a recuperação da cirurgia, a onça se mandou novamente para o mato.

No entanto, algo muito estranho estava acontecendo. Agora, ela enxergava muito mais defeitos, coisas horríveis. Será que os bichos pioraram? pensava ela. Eram tantos os defeitos que ela enxergava que, inquieta, procurou novamente o oftalmologista.

Este examinou seus olhos e disso: “Dona onça, a senhora me desculpe. O erro foi meu. Quando fiz a cirurgia, eu me distraí e coloquei seus olhos voltados para dentro. Por isso que a senhora estranhou, pois está vendo a si mesma”. E recolocou os olhos na posição certa.

A onça voltou novamente para a floresta, mas agora era mais cautelosa ao criticar os demais bichos, pois sabia que seus defeitos eram bem maiores.

Que sejamos rigorosos conosco mesmos, mas muito condescendentes e compreensivos diante das falhas alheias.

“Não julgueis e não sereis julgados... Por que observas o cisco no olho do teu irmão e não reparas na trave que está no teu próprio olho?” (Mt 7,7-3).

Maria Santíssima, a discípula fiel do Senhor, vivia sempre preparada para o segundo encontro com o seu Filho, vindo como Juiz. Por isso, não julgava as pessoas, pois não conhecemos o coração de ninguém.


Quando termina a noite e começa o dia?

Certa vez, um mestre perguntou aos discípulos: “Como você sabe o momento exato em que termina a noite e começa o dia?”

Um deles respondeu: “É quando, avistando ao longe, consigo distinguir um cão de um carneiro”. O mestre disse que não.

Outro falou: “É quando consigo diferenciar uma laranjeira de uma mangueira”. O mestre não se satisfez.

Outro discípulo arriscou: “É quando consigo distinguir um boi de um burro”. O mestre continuou esperando.

Como ninguém mais arriscava uma resposta, ele disse: “Termina a noite e começa o dia quando, olhando para o rosto de alguém, reconhecemos nele o nosso irmão”.

Que bom se na Comunidade católica todos nos relacionássemos como irmãos e irmãs! “Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, eu estou ali, no meio deles” (Mt 18,20).

A Comunidade tem uma Mãe zelosa para com seus filhos e filhas desgarrados. Com seu jeito de mãe, ela sabe como corrigir. Que Maria nos ajude a sempre transformarmos a noite em dia.


Nora quer fazer mal à sogra

Certa vez, uma jovem se casou e foi morar na casa da sogra. No começo, ia bem. Mas... Logo as duas começaram a se desentender. O sonho daquela menina era um dia ser dona do seu lar, o que não aconteceu. E o pior é que havia entre as duas uma incompatibilidade de gênios.

Chegou ao ponto de a moça detestar tanto a sogra, que desejava fazer mal a ela.

Um dia, a jovem esposa procurou um sábio e lhe disse: “Eu quero fazer mal àquela bruxa. O que faço?”

O sábio ouviu tudo e disse: “Eu tenho um remédio. É um pó feito de ervas, que dá uma dor de barriga horrível. Depois que começa a dor, demora vários dias para passar. Mas não prejudica a saúde. Você tem de misturar na comida dela, sem ela perceber. De dois em dois dias você mistura um pouquinho. Demora uns dias para fazer o efeito. Agora, para ter certeza de que ninguém vai suspeitar de você, procure tratá-la bem e agir sempre de forma amigável com ela. Não discuta”.

Tudo bem, disse a moça. Pegou o vidro de remédio e foi para casa. Duas semanas depois, ela voltou e disse ao sábio: “Eu parei de dar o remédio. Minha sogra melhorou. Está ótima agora. Nós duas até ficamos amigas”.

O sábio disse: “Filha, aquilo não é remédio. É vitamina! O que faltava na sua casa era a pré-disposição: Você querer tratar bem a sua sogra. Foi só você fazer isso, tudo ficou resolvido”.

Nós colhemos o que plantamos. Se plantamos boa semente, germinará uma boa planta que dará belas flores e gostosos frutos. Se plantarmos semente de erva daninha, será isso que crescerá.

“O ódio excita contendas, mas o amor cobre todas as transgressões” (Pr 10,12).

Maria Santíssima foi a discípula por excelência. O discípulo se deixava ensinar, percorre o caminho do mestre, faz as experiências que ele faz. Se o mestre crê, o discípulo também crê; se o mestre ama, o discípulo também ama.


De que lado fica o noivo no Altar?

Havia, certa vez, uma igreja muito bonita, no centro de uma cidade grande. Era a igreja preferida pelas noivas de toda a cidade para se casarem.

Mas o padre vivia meio desiludido, porque nenhum casal de noivos vinha antes confessar-se, para receber bem o sacramento. Ele percebia também que as celebrações eram bonitas, mas de pouca piedade.

A igreja, que já era bonita, ficava mais bonita ainda com aquelas roupas elegantes, coral, flores, filmagens... Mas a fé e a oração eram deixadas de lado.

Um dia, quinze minutos antes do casamento, um noivo o procurou e disse: “Sr. padre, posso falar um pouquinho com o senhor em particular?” O padre pensou: Que bom! Até que enfim apareceu um noivo desejando confessar-se.

Quando os dois estavam em um lugar a sós, o noivo disse, preocupado: “De que lado eu fico no Altar, quando a nova estiver entrando?” O padre quase respondeu: “Do lado de fora!” Mas se conteve e disse:

“Filho, receba a noiva no Altar do jeito que você quiser. Isso é secundário. O importante no casamento é a presença de Deus, diante do qual vocês vão dar o sim um ao outro, que é para toda a vida”.

A família de Nazaré é o modelo, deixado por Deus, de esposa e mãe, de marido e pai, e de filho. Família de Nazaré, abençoai as nossas famílias.


Nenê limpinho: “Meu filho”

Havia, certa vez, um homem casado que, quando chegava um amigo em sua casa, levava-o até o berço e lhe mostrava o seu lindo nenê, que estava arrumadinho e perfumado. Ele dizia para a visita: “Este é o meu filho”.

Mas, à noite, quando o nenê chorava, ele dizia à esposa: “Vá cuidar de seu filho!” Também quando a criança estava suja, ele chamava a esposa para cuidar e dizia “Seu filho”.

Deus, quando se refere a nós, chama-nos de “meu filho”, “minha filha”. Isto sempre, principalmente quando estamos sujos ou chorando.

Na parábola do Filho pródigo, o irmão mais velho não chamou outro de “meu irmão”, mas de “teu filho”. Já o pai o corrigiu: “Este teu irmão estava morto e tornou a viver...”


Nelsinho, exemplo para as crianças

Nelsinho Santana nasceu dia 31/07/1955, na zona rural de Ibitinga, SP. Seus pais se chamam João e Ocrécia.

Quando tinha nove anos, um dia Nelsinho fraturou o braço. O tratamento foi precário e, meses depois, foi levado para a Santa Casa de Araraquara, SP. Uma Irmã religiosa lhe ensinou o catecismo e ele fez a primeira Comunhão.

A partir daí, despertou-se no menino um extraordinário amor a Jesus, que recebia diariamente na Eucaristia. Nasceu também nele um grande interesse em ajudar as pessoas, intercedendo por elas junto ao seu amigo Jesus.

Apesar das dores, vivia em constante alegria e paz. Ao saber que sua morte estava próxima, ficou feliz, pois assim, mais perto do seu Amigo, podia interceder por todas as pessoas da terra que passassem por qualquer necessidade.

Faleceu dia 24/12/1964, com nove anos de idade. A Igreja o declarou servo de Deus.

“Alguns levaram crianças a Jesus para que ele impusesse as mãos sobre elas e fizesse uma oração. Os discípulos, porém, os repreendiam. Vendo isso, Jesus disse: ‘Deixai as crianças, e não as impeçais de virem a mim” (Mt 19,13-14).


O soldado de Napoleão condenado à morte

Certa vez, um dos soldados de Napoleão Bonaparte cometeu um crime muito sério e foi condenado à morte.

Na véspera da execução, a mãe do soldado foi implorar para que a vida de seu filho fosse poupada.

“Minha senhora, respondeu Napoleão, o que seu filho fez não merece clemência”. Ela respondeu: “Eu sei disso. Se merecesse, não seria verdadeiramente um perdão. Perdoar é a capacidade de ir além da justiça”.

Ao ouvir essas palavras, Napoleão comutou a pena para exílio.

Está aí um grande meio de construir a paz, seja dentro de casa, seja fora dela: O perdão.

Temos uma Mãe no Céu, a interceder junto ao Filho por nós. “Rogai por nós pecadores, agora de no hora da nossa morte”.


A mulher impaciente

Certa vez, uma senhora foi assistir uma peça teatral e, ao chegar em casa, descobriu que havia perdido um de seus brincos de brilhante. Além do grande valor material da joia, havia também um valor sentimental, por tratar-se de herança de sua mãe.

Bastante aflita, telefonou para o gerente do teatro, perguntando se haviam encontrado a joia durante a limpeza do salão. O gerente pediu-lhe que aguardasse na linha, enquanto iria perguntar ao responsável pela limpeza.

Ao encontrar o responsável, soube que o brinco havia sido achado e guardado em um lugar seguro. O gerente retornou ao telefone para lhe dar a excelente notícia. Mas a senhora já havia desligado o telefone! Sem saber o nome da dona do brinco, aguardou que tornasse a ligar e até colocou um anúncio em um jornal, mas nunca mais teve qualquer notícia dela.

Aquela senhora era impaciente. Por causa de alguns minutos de espera, acabou perdendo a sua joia preciosa.

Muitos de nós agimos com Deus do mesmo jeito. Pedimos e já queremos logo a resposta. Deus atende, mas na hora melhor para nós, e do modo melhor, o que ultrapassa os nossos limitados conhecimentos.

A pressa é própria dos seres mortais. Como Deus não morre, ele não tem pressa. Nós também precisamos ter paciência diante dele, o que faltou para Zacarias, que pediu durante muito tempo a graça de ter um filho, e depois desanimou (Cf Lc 1,18). A pressa é também própria de quem não tem muito poder. Como nós somos fracos, ficamos com medo de perder a oportunidade, por isso temos pressa.

Virgem santa, Virgem bela, Mãe amável, Mãe querida, amparai-nos, socorrei-nos, ó Senhora Aparecida.


O verdadeiro sucesso

Certa vez, um homem riquíssimo estava morrendo. Olhou para o filho, ao lado da cama e, com dificuldade, disse: “Filho, segure minha mão”. Ele a pegou, enquanto o pai continuava: “Você está segurando a mão do homem que se tornou o maior dos fracassos dentre todos os homens deste mundo”.

O filho retrucou: “Pai, por que o senhor fala assim? O senhor é o homem mais rico aqui da nossa cidade...!”

O velho respondeu: “Eu vivi para esta terra e não para a eternidade. Não me preparei para o mundo vindouro. Agora, tudo é muito escuro e frio”.

Logo depois ele morreu, com um semblante triste e de pessoa preocupada. Aquele era, de fato, um homem fracassado.

Nós costumamos medir o sucesso de uma pessoa pelos bens que possui. Se os tem em abundância, julgamos ser uma pessoa bem sucedida. Se não apresenta nenhum patrimônio, logo a taxamos de fracassada. Mas o sucesso ou fracasso não está na quantidade de bens que alguém possui, mas na sua preparação para a vida eterna.

“O ser humano é como um sopro; seus dias são sombra que passa” (Sl 144,4).

Maria santíssima era rica, muito rica. Mas a sua única riqueza era a graça de Deus. Por isso viveu feliz e está hoje em corpo e alma no Céu. Seu exemplo é luz que ilumina nossos projetos e sonhos.


A velhinha que se assustou com a morte

Certa vez, uma senhora bem idosa foi buscar lenha no mato. Ajuntou um feixe, amarrou-o e tentou colocá-lo nas costas, mas não conseguiu. Desanimada, pediu a morte, dizendo: “Ô morte, venha me buscar! Eu estou velha, fraca, não aguento mais nem com este feixe de lenha!” E continuou suas lamúrias.

De repente, houve um vento forte e a morte apareceu, com o rosto de caveira e a machadinha na mão. “A senhora me chamou?” perguntou ela.

A velhinha olhou assustada, viu a machadinha e disse: “Sim, dona morte. É para a senhora me ajudar a por este feixe de lenha nas costas”.

Nós não escolhemos o dia de nascer e não vamos escolher o dia de morrer. Isso compete a Deus. Em vez de reclamar, devemos procurar viver, do melhor modo possível, cada dia que o bom Deus nos dá, aproveitando as forças e as condições que temos para fazer o bem.

E na hora derradeira, ao sairmos desta vida, implorai a Deus por nós, ó Senhora Aparecida.


A máquina mágica

Havia, certa vez, em um lugar bem afastado, uma máquina que era mágica. A sua aparência era de um enorme moinho de café.

Mas, na verdade, o que ela moía era gente. Pessoas velhas eram colocadas nela e saíam jovens e bonitas.

O trabalho era gratuito e durava poucos minutos. Colocava-se a pessoa dentro da máquina e a ligava, pronto. Podia ser da idade que fosse que, em poucos minutos, a pessoa saía jovem e sorrindo, exatamente naquela idade que escolheu.

Uma senhora bem idosa interessou-se e foi até a máquina. Chegando, disse para a recepcionista: “Quero voltar aos meus dezessete anos”.

A moça sorriu, pediu os dados pessoais dela, sentou-se na frente de um enorme computador e digitou todos os dados. A impressora começou logo a imprimir umas páginas. A senhora ficou curiosa e perguntou: “O que é isso?”

“São todas as tolices que a senhora cometia aos dezessete anos. Voltando, a senhora vai ter de fazer de novo todos esses erros.”

A mulher começou a ler a lista, que tinha mais de dez páginas. Viu que no final havia um contrato que ela devia assinar. Refletiu um pouco e disse para a moça que desistia. A recepcionista então lhe falou:

“Já fazem mais de dez anos que a nossa máquina está parada. Todas as pessoas que aqui chegam fazem como a senhora: Ao ler as asneiras que praticaram e saber que terão de repeti-las, desistem”. A velha agradeceu e foi embora.

Não existe, na nossa vida, uma idade melhor ou pior que a outra, pois fomos criados por Deus e ele faz as coisas bem feitas em todas as fazes. O importante é vivermos bem a fase em que estamos.


Ateu se converte olhando sacrário

Certa vez, um homem ateu foi convidado para fazer o Cursilho de Cristandade. São três dias de intensa formação católica e oração.

Nos dois primeiros dias, aquele senhor dizia para todos que era ateu. No segundo dia, à noite, um dirigente pediu que ele fosse à capela rezar. Ele objetou que era ateu. O líder disse: “Não há problema, vá assim mesmo”.

Quando o homem entrou na capela, o dirigente apagou a luz e o deixou só, naquele ambiente totalmente escuro e silencioso, apenas a luzinha do sacrário brilhando na sua frente.

O homem então disse para Cristo: “O Senhor sabe que sou ateu. Não acredito nem na sua existência”. E continuou ali sentado.

De repente, ele pensou: “E se alguém chegasse aqui agora e, por trás, fincasse uma agulha no meu braço? Eu não o veria, mas sentiria a picada. Deus é assim; nós não o vemos, mas sentimos”. E começou a chorar. Minutos depois procurou um padre para se confessar.

Cristo nos espera nas curvas da vida, e marca encontro conosco na hora certa, usando como seus instrumentos os líderes católicos.

A Eucaristia tem uma enorme força para tocar os corações. Nós não vemos Cristo presente na Hóstia, mas sentimos. E sentimos às vezes tão forte como a picada de uma agulha.

Quem vê Marias Santíssima, sempre vê, acima dela, a grande imagem do seu Filho. Assim como quem vê Jesus Cristo, sempre enxerga ao lado sua Mãe. Graças vos damos, Senhora, Virgem por Deus escolhida, para Mãe de Redentor, a Senhora Aparecida.


Pe. Antão Jorge

O Pe. Antão Jorge nasceu em 1880, na Áustria. Seus pais se chamavam Sebastião e Elisabeth. Eram bem ligados à Igreja. A mãe pertencia à Ordem Franciscana Secular. Tiveram seis filhos.

Quando jovem, Antão participou das santas Missões redentoristas em sua cidade. Entusiasmado pelo trabalho missionário, decidiu ser também redentorista. Em 1904 foi ordenado sacerdote.

No mesmo ano, veio para o Brasil. Durante os longos dias de viagem, ele fez um propósito, que cumpriu até o fim da vida: “Quero santificar-me, ajudando os brasileiros a se tornarem santos”.

Ao chegar aqui, foi para Goiânia, onde trabalhou como missionário, viajando a cavalo pelo interior do Estado.

Conta-se que um dia, ao passar por uma cidade, ficou sabendo que cinco homens armados estavam em volta de uma casa, para matar o dono da casa, que estava dentro. Era o terrível círculo vicioso da vingança entre famílias.

Pe. Antão não duvidou. Usando sua batina, desceu do cavalo, entrou na casa e saiu abraçado com o homem, protegendo-o com o seu corpo. Desse modo, a pobre vítima pôde escapar e fugiu.

Em outra ocasião, coincidiu que bem nos dias da Missão chegou um circo à cidade. Como os moradores estavam preferindo a Missão, alguns do circo ficaram com raiva e resolveram ir à igreja para atrapalhar a Missão. Ficavam atrás do padre, imitando a sua pronúncia, que era péssima. Eles ridicularizavam e faziam o povo rir.

Numa noite, um deles caiu de uma corda no circo e se machucou gravemente. O povo viu aquilo como um castigo de Deus, e o circo teve de ir embora. A partir daí, a Missão pegou de uma vez.

Pe. Antão gostava também de pregar retiros, esperando que acontecesse com os participantes o que aconteceu com ele, isto é, deixar-se tocar pela graça de Deus e mudar de vida.

Foi ele que construiu a matriz de Trindade, GO, e a igreja de Bela Vista de Goiás. Nessas construções, ele próprio ia ao mato, cortava a madeira e trazia.

Em 1915, Pe. Antão mudou-se para Aparecida, SP, a fim de trabalhar no Santuário de Nossa Senhora Aparecida. Construiu o Lar Nossa Senhora Aparecida, para idosos.

Lutou, junto com outros aparecidenses, pela emancipação da cidade, o que aconteceu dia 17/12/1928.

Foi ele a pessoa que mais trabalhou para que Nossa Senhora Aparecida fosse declarada Padroeira do Brasil, o que aconteceu em 1930.

Mas o seu trabalho de maior destaque foi o iniciou da construção do novo Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, o maior templo mariano do mundo.

Uma característica do Pe. Antão era não falar mal de ninguém. Sempre que podia, ele impedia que as pessoas cometessem a maledicência.

Nos seus últimos anos de vida, ele não conseguia mais celebrar a santa Missa, mas não perdia tempo. Atendia Confissões. Era sempre sorridente, calmo e acolhedor. Isso até o seu último dia de vida. Faleceu dia 28/09/1965, com 85 anos de idade.

“Como são belos, sobre as montanhas, os pés do mensageiro que leva a paz” (Is 52,7; Rm 10,15).


Anjos fazem perguntas a Deus

Diz uma lenda que, quando Deus terminou a criação do mundo, cinco anjos aproximaram-se dele e fizeram perguntas.
- O primeiro perguntou: “Como que o Senhor fez esta obra fantástica?” Este anjo é continuado hoje pelos cientistas.
- O segundo disse: “Por que o Senhor criou o universo?” Ele é continuado pelos filósofos.
- O terceiro falou: “Quanto vale esta obra?” Este anjo é representado hoje pelos comerciantes.
- O quarto bateu palmas para Deus.
- E o quinto perguntou: “Posso ajudar?”

Este último é continuado hoje pelos colaboradores da criação. Nos seis dias da semana, devemos imitar o quinto anjo, colaborando na criação do mundo. E no domingo, imitar o quarto anjo, louvando a Deus por tantas coisas bonitas que ele fez.


Três meninos, mas só um é filho

Três mulheres conversavam ao lado de um poço, e um velho as escutava. A primeira dizia: “Meu filho é muito forte, corre e pula”. A segunda dizia: “O meu filho canta como o passarinho”.

A terceira mulher nada dizia. Então o velho perguntou: “Você não tem filho?”
- “Tenho. Mas ele é um menino normal, como todas as crianças”.

As três mulheres pegaram seus potes cheios de água e foram caminhando. No meio do caminho, elas pararam para descansar, e o velho sentou-se ao lado delas. Logo elas viram seus filhos caminhando para perto delas.

O primeiro vinha correndo e pulando. O segundo vinha cantando lindas canções. O terceiro não vinha pulando nem cantando. Ele correu em direção à mãe, pegou o pote cheio de água e levou para casa.

Então as três mulheres perguntaram para o velho homem: “O que o senhor achou dos nossos filhos?” Ele respondeu: “Realmente eu acabei de ver três meninos. Mas vi apenas um filho”.

“É uma desonra para o filho a mãe desprezada” (Eclo 3,13). “Filhos, obedecei a vossos pais, no Senhor, pois isto é de justiça: ‘Honra teu pai e tua mãe’. Este é o primeiro mandamento que vem acompanhado de uma promessa: ‘a fim de que sejas feliz, e tenhas longa vida sobre a terra” (Ef 6,1-3; Ex 20,12). “Quem usa de brutalidade para com o pai ou a mãe, é um filho desonrado e infame” (Pv 19,26).


Luís XI e o adivinho

Luiz XI foi rei da França, de 1461 a 1483. Era um homem mau, cruel e violento.

Um dia lhe contaram que um adivinho havia previsto a morte de uma funcionária do palácio, e isso aconteceu. Disseram-lhe também que esse adivinho era extraordinário. Adivinhava tudo com precisão.

O rei mandou trazê-lo, e instruiu os seus guardas: “Se eu fizer tal sinal, vocês o matem imediatamente”. O homem veio e o rei lhe disse: “Dizem que você adivinha as coisas. É verdade?”
- “É, às vezes, com a graça de Deus”.
- “Então me diga: Quando você irá morrer?”
- “Três dias antes de vossa majestade.”

Diante dessa afirmação, o rei preferiu não matá-lo, pois tinha muito medo da morte. E com razão, pois era um homem mau.

Não basta ter medo da morte. Precisamos estar sempre preparados, pois, com medo ou sem medo, ela vem para todos, e em hora imprevista.

Maria Santíssima era uma mulher vigilante. Vivia sempre preparada para o encontro com o seu grande amor que é Deus. Santa Mãe de Deus, rogai por nós.


Deixa a luz do Céu entrar

Certa vez, um homem caminhava triste e solitário, deixando a cidade e subindo a montanha que ficava ao lado.

Quando estava no meio da subida, encontrou-se com um lenhador. Este, ao vê-lo tão amargurado, perguntou: “O que você tem, amigo? Por que está assim, com a cabeça baixa, testa franzida, feição triste?” O homem respondeu: “Eu me sinto muito só e infeliz”.

O lenhador aproximou-se dele e disse: “Eu passo o dia todo aqui e não me sinto sozinho, pois Deus está comigo”.

Em seguida, pediu ao homem que olhasse para trás e visse a cidade lá embaixo. Era de manhã e o sol batia nas casas.

“Você está vendo as casas”, disse. “Algumas estão com as janelas fechadas e o sol não entra. Outras estão com as janelas abertas, e nestas o sol está entrando. O nosso coração é como aquelas casas. Se nós abrirmos as suas janelas, a luz entrará. Veja esta natureza tão bela ao nosso redor. Deus nos mostra o seu rosto, o seu coração. Deixe que o sol entre dentro de você também. Através da natureza, você encontrará Deus, e com ele a felicidade.”

Ao ouvir essas palavras, o semblante do homem iluminou-se. Agradeceu ao lenhador, despediu-se e continuou subindo a montanha.

O amor e o bom exemplo agem como o fermento. Vamos testemunhar o bem, deixar que a luz de Deus entre em nós e nos transforme em luz do mundo.

“Tu anseias, eu bem sei, a salvação. Tens desejo de vencer a escuridão. Abre, pois, de par em par, teu coração, e deixa a luz do Céu entrar.

Maria Santíssima é chamada Senhora da Luz. Santa Maria, rogai por nós.


A foto mais bonita que a criança

Certa vez, uma jovem mãe estava com o seu bebê no portão da casa. Passou uma senhora, parou e disse: “Como é bonita esta criança!” A mãe falou: “Espere um pouquinho. Vou buscar a fotografia dela para a senhora ver que é mais bonita ainda”.

O que aquela mãe fez foi simplesmente ridículo, porque os fotógrafos podem falsificar fotografias, “melhorando” as pessoas.

Mas há algo parecido com a Redenção feita por Jesus. Esta foi além e tornou o original, isto é, o homem criado por Deus, melhor e mais bonito ainda. Por isso que cantamos no sábado santo, referindo-nos ao pecado original: “Ó culpa tão feliz que há merecido a graça de um tão grande Redentor”.

Quando Maria Santíssima ouvia, ao participar da santa Missa, aquelas palavras do seu Filho: “Tomai todos e comei, isto é o meu corpo... Tomai todos e bebei...” certamente ela pensava: Este corpo foi gerado dentro de mim.

E quando ela comungava, era quase que uma nova encarnação. Aquele coração que batia em seu ventre volta agora para sustentá-la na caminhada.

Claro que Maria se lembrava também dos maus tratos que Jesus recebeu e continuava recebendo dos homens, e voltava a sentir a espada que, no Calvário, transpassou o seu coração. Por isso lhe pedimos: “Ouvi nossos rogos, Mãe dos pecadores”.


A formicida granulada

Certa vez, apareceu na roça de um agricultor um formigueiro. Eram formigas devoradoras que estavam destruindo a plantação.

Então o homem colocou na entrada do formigueiro um veneno em forma de grãozinhos, com aparência e cheiro atraentes às formigas. Julgando que os pequenos grânulos fossem comida, as formigas os apanharam e conduziram para dentro do formigueiro.

Quando o agricultor voltou, no dia seguinte, todas as formigas estavam mortas. Mas ele ficou triste, porque outro formigueiro ao lado, cujas formigas não eram agressivas, também levaram a “comida” para dentro de suas casas e morreram.

Somos fracos, podemos nos enganar pelo inimigo. O pecado sempre se apresenta como algo bom e não nocivo. Depois que o praticamos, aí é que ele mostra todo o seu veneno.

Por isso Jesus nos alerta: “Cuidado com os falsos profetas; eles vêm até vós vestidos de ovelhas, mas por dentro são lobos ferozes” (Mt 7,15).

Maria Santíssima era esperta e não caiu nas armadilhas do tentador. Ela tinha a fidelidade própria de quem ama. A noiva espera a chegada do noivo e se prepara para isso com a maior alegria. Assim era Nossa Senhora. Que ela nos ensine a sermos sempre vigilantes.


O descobridor do fogo

Há milhares de anos, um homem descobriu como se faz o fogo. Ao esfregar uma pedra na outra, ele percebeu que saíam faíscas. Repetiu o gesto junto a palhas secas e as faíscas se transformaram em chamas. Ficou vislumbrado.

Levou a sua invenção para muitas aldeias. As pessoas ficavam felizes porque podiam cozinhar a carne, o arroz, o feijão e aquecer-se no tempo de frio. Aquele homem era humilde; não queria fama nem ficar rico com a sua descoberta.

Entretanto, umas pessoas malvadas, levadas pela inveja e pelo medo de perder algum ganho com o aparecimento da nova invenção, mataram aquele homem.

Quando as pessoas ficaram sabendo, construíram estátuas dele e ficavam comentando sobre a sua vida, suas virtudes e seu heroísmo.

Mas o problema foi que, com isso, se esqueceram de como fazer fogo. Assim, precisou, mais tarde, surgir outro descobridor do fogo.

Podemos comparar Jesus com aquele homem. Pode acontecer de reverenciarmos a pessoa de Jesus, mas nos esquecermos da Boa Nova que ele trouxe. Amar não é olhar um para o outro, mas os dois na mesma direção. Se queremos agradar a Jesus, vamos cuidar do fogo que ele nos trouxe, que é o amor. Amor que nos torna todos iguais, porque somos irmãos. E um amor que nos compromete, como comprometeu a Jesus.

“Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor! Senhor!’, entrará no Reino dos céus, mas só aquele que põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mt 7,21).


O professor, o sábio e as árvores

Certa vez, um professor entrou em crise existencial e procurou um sábio. Ao chegar à casa dele, viu que havia várias pessoas na sala de espera aguardando sua vez de falar com ele.

Quando, finalmente, o professor foi chamado, disse ao sábio: “Por que eu me sinto inferior ao senhor? Apenas um momento atrás, tudo estava bem comigo. Quando entrei aqui na sua casa, subitamente me senti inferior”.

O sábio falou: “Volte para a sala de espera. Quando todas as pessoas tiverem partido, eu lhe responderei”.

Depois que todos foram atendidos, o sábio o levou para fora de sua casa. Já era noite, e a lua cheia estava justamente surgindo no horizonte. Ele disse:

“Olhe para estas duas árvores, a árvore alta e a pequena ao lado. Durante o ano, nunca houve problema entre elas. A árvore menor jamais disse à maior: ‘Por que me sinto inferior diante de você?’ Esta árvore é pequena e aquela é grande; este é o fato. E nunca ouvi sussurro algum delas a este respeito.”

O professor argumentou: “Isto se dá porque elas não podem se comparar”.

O sábio replicou: “Então não precisa me perguntar. Você sabe a resposta. Quando você não compara, toda a inferioridade e superioridade desaparecem. Você é o que é, simplesmente existe. Se é um pequeno arbusto ou uma grande e alta árvore, não importa. Você é você mesmo”.

E o sábio continuou: “Uma folhinha da relva é tão necessária quanto a maior das estrelas. O canto de um pássaro é tão importante quanto qualquer grande cantor, pois o mundo seria menos belo sem o canto da pequena ave. Tudo é necessário e tudo se encaixa. É uma unidade. Ninguém é mais alto ou mais baixo, superior ou inferior. Cada um é incomparavelmente único. Você é necessário e basta. Na natureza, tamanho não é diferença, tudo é expressão igual de vida”.

“Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11,25).


Santo Afonso oferece a Maria sua toga

Santo Afonso Maria de Ligório, o fundador dos missionários redentoristas, era italiano e viveu no Séc. XVIII. Era um homem apaixonado por Deus.

Afonso tinha também um forte dinamismo profético. Quando jovem, escolheu a profissão de advogado para defender o direito dos pobres.

Um dia, ele estava no tribunal, defendendo o direito de um senhor pobre, contra um dos homens mais poderosos da Itália. Este comprou o juiz e Afonso perdeu a causa.

A partir daí, Afonso decepcionou-se com a advocacia. Foi a uma igreja dedicada a Nossa Senhora e depositou aos pés da Santa a sua toga de advogado.

Resolveu tornar-se padre. Como sacerdote, logo percebeu que, em sua cidade, Nápoles, os pobres eram discriminados até no atendimento religioso. Começou, então, a fundar Comunidades católicas na periferia.

Um dia, exausto de tanto trabalhar, foi tirar uns dias de descanso em uma região rural. Ali, conheceu os cabreiros. Viu neles as pessoas mais pobres e abandonadas do País. Afonso esqueceu-se do cansaço e pôs-se a ensinar-lhes o catecismo, a fazer batizados, casamentos... Enfim, conviver com aquela gente preferida de Deus. Acabou mudando-se para aquela região. Foi ali que nasceu a Congregação Redentorista.

“Enviou-me paras evangelizar os pobres” (Lc 4,18). “Junto dele a Redenção é abundante” (Sl 129,7).

Maria Santíssima exerceu forte influência na vida de Afonso, porque também ela é preocupada com os mais pobres e abandonados, como vemos em seu hino, o Magnificat. Mãe dos excluídos, rogai por nós.


Pe. Ezequiel Ramin

Pe. Ezequiel Ramin era italiano, da congregação dos Combonianos. Nasceu em 1956. Era pároco da cidade de Cacoal, Rondônia, município enorme, no qual havia vinte aldeias de índios, além de dez mil famílias de agricultores espalhadas pelo mato.

Pe. Ezequiel, com todo o entusiasmo de jovem sacerdote, começou a visitar as famílias, celebrar Missas, fazer reuniões e organizar Comunidades Eclesiais de Base.

Mas logo se deparou com uma triste situação: As matas estavam sendo invadidas e devastadas por fortes grupos econômicos que, com suas poderosas motosserras, derrubavam árvores seculares e levavam a madeira, geralmente para fora do Brasil.

O povo estava também assustado com as cercas de arame farpado que surgiam em todo canto, com placas trazendo nomes de pessoas desconhecidas que se diziam proprietárias daquelas terras, onde as famílias viviam, desde seus avós.

O pior eram os pistoleiros e jagunços que começaram a aparecer, com suas armas na cintura. Inclusive uma área grande e bonita, que tinha uma Comunidade Católica atuante, de uma hora para outra foi cercada com cerca de arame farpado, e rodeada de placas com o nome: “Fazenda Catuva”.

Nas Missas mensais, Pe. Ezequiel percebia que o povo estava assustado e triste, sem saber a quem recorrer. Os pistoleiros visitavam as casas e diziam abertamente: “Caiam fora daqui, porque agora tudo isso é de fulano de tal. Quem não sair vai levar chumbo”.

“Mas os nossos avós já moravam aqui!” diziam os moradores.
- “Não interessa. A ordem que temos é limpar a área”.

O povo tinha medo, porque via nas caras deles que eram assassinos. Muitas famílias deixaram suas propriedades e foram morar na periferia das cidades grandes.

Pe. Ezequiel aconselhava: “Fiquem aqui por enquanto! Nossa diocese já arrumou um advogado e ele está trabalhando pelos direitos de vocês”.

Por isso, algumas famílias disseram para os jagunços: “Nós não vamos embora, porque o nosso Pároco nos mandou esperar”.

Quando o pretenso dono foi informado, encheu-se de ódio contra o Pe. Ezequiel. Então pediu aos pistoleiros que o matassem.

Algumas pessoas o aconselharam a voltar para a Itália, ou ir para outra região do Brasil, mas ele não quis.

Numa noite em que ele voltava de uma Missa em uma Comunidade rural, ao frear o jipe para passar em um mata-burro, foi morto a tiros. Era o dia 24/07/1984. Tinha apenas trinta e dois anos de idade e quatro de padre.

O enterro foi muito bonito e comovente. A hora mais emocionante foi quando todo o povo cantou a música de que ele mais gostava: Pai Nosso dos mártires. O canto diz:

“Pai nosso, dos pobres e marginalizados, teu nome é santificado quando a justiça é nossa medida. Teu Reino é de liberdade, de fraternidade, paz e comunhão. Queremos fazer tua vontade, és o verdadeiro Deus libertador. Não vamos seguir as doutrinas corrompidas pelo poder opressor. Pedimos-te o pão da vida, o pão da segurança, o pão das multidões. Perdoa-nos quando por medo, ficamos calados diante da morte. Perdoa e destrói o reino em que a corrupção é a lei mais forte...”


Santa Cecília

Santa Cecília viveu em Roma, no Séc. III. Era um tempo de forte perseguição à Igreja por parte do império romano.

Logo que cresceu, Cecília tornou-se uma garota muito linda. Ela tinha um amor enorme a Deus e, em segredo, consagrou a ele a sua vida e sua virgindade.

Seguindo o costume da época, seus pais a prometeram em casamento a um rapaz importante da aristocracia romana, mas pagão.

Contra a sua vontade, Cecília teve de ir ao casamento. Durante a celebração, ela mudava mentalmente as letras das músicas de amor que eram cantadas, colocando Deus no lugar do rapaz decantado.

Assim, enquanto a orquestra tocava melodias de amor humano, ela, no seu íntimo, acompanhava as músicas colocando letras de amor a Deus. Por isso que Cecília é a padroeira da música.

Antes de dormirem juntos, ela contou ao rapaz o seu voto. Ele entendeu e a respeitou. No fim, também ele se converteu à Igreja Católica.

Mas, infelizmente, Cecília foi condenada à morte, por ser católica. Antes da execução, o próprio Papa, chamado Urbano, veio ao cárcere e lhe deu o sacramento da Unção dos Enfermos.

Na verdade, não era só Cecília que era apaixonada por Deus. Deus também era apaixonado por ela. Não só por ela, mas por cada um de nós. Você também não quer imitar Cecília? Quem convida é o próprio Deus. Todo amor verdadeiro é totalizante e inclui a doação da vida.

“Eu quero ver acontecer. Um sonho bom, sonho de muitos, acontecer. Nascendo da noite escura, a manhã futura trazendo amor. No vento da madrugada, a paz tão sonhada brotando em flor.”

Quando Maria, ao saber da necessidade da prima Isabel, foi apressadamente ajudá-la. A pressa não foi porque Isabel estivesse precisando com urgência. Foi o amor a Deus que Maria carregava dentro de si que a fez apressar-se. A prova disso é que, ao chegar à casa da prima, cantou louvando a Deus. Santa Maria e Santa Cecília, rogai por nós.


A flor para a esposa

Certa vez, um homem estava entrando em casa para o almoço e lembrou-se que aquele dia era o aniversário da esposa. Coisa rara, porque homem geralmente não lembra dessas coisas.

Ele apanhou uma rosa do jardim dela, na frente da casa, e entrou com a mão para trás, todo sem jeito. Entregou-lhe a flor e a própria esposa teve a iniciativa do abraço.

Ela percebeu a falta de espontaneidade do querido esposo, mas mesmo assim ficou muito feliz. Cada um mostra o amor do jeito que pode. O importante é sempre mostrar amor e perdão.

O homem é diferente da mulher. Ele dificilmente fala que ama. Seu amor é demonstrado sem palavras, através da dedicação ao trabalho. Quando ele chega em casa cansado, sujo e meio calado, esta é a sua forma de dizer para a família que a ama. É como se dissesse: “Faço tudo isso por vocês”.

Feliz a família que sabe ler nos gestos e nas entrelinhas o amor do outro. Não precisamos ficar cobrando carinho ou demonstrações de afeto, pois o maior gesto é a dedicação de cada dia.


Psicologia

Havia, certa vez, uma família numerosa que morava na roça, perto da cidade, e o pai era bastante rigoroso na educação. Inclusive, ele tinha numa gaveta uma varinha de marmelo, com a qual de vez em quando batia em um filho ou filha.

Mas só fazia isso após a terceira repreensão sem resultado, e alertando a criança de que, se não obedecer, vai apanhar.

A filha mais velha cresceu e tornou-se catequista.

Amiga do padre, ela conseguiu convencê-lo a convidar um psicólogo para fazer uma palestra aos paroquianos sobre a educação dos filhos. O padre, ao convidar o psicólogo, contou-lhe o motivo do convite. Por isso, este veio determinado em pedir para não bater nos filhos.

A palestra foi à noite, e toda aquela família estava presente.

O psicólogo, logo no início, disse que agora não se pode mais bater nos filhos, porque o que resolve é a psicologia. Durante a palestra, de uma forma ou de outra, ele ia sempre repetindo essa afirmação. Falou durante uma hora.

Terminada a palestra, a família voltou para casa. Logo ao chegar, o pai abriu a gaveta, mostrou a vara de marmelo para todos os filhos e disse: “De hoje em diante, isso aqui vai chamar-se psicologia”.

“O pai que poupa a vara odeia seu filho” (Pr 13,24).

De fato, não se deve exagerar no uso desse meio de educação. Mas há situações em que ele é necessário. Aquele psicólogo foi unilateral. Os psicólogos são unânimes em afirmar que, de vez em quando, as tradicionais palmadinhas no bumbum fazem bem.

Claro, sempre após uma desobediência repetida, e a criança sabendo que poderá apanhar. O importante é que a criança perceba: A mamãe, ou o papai, está me batendo porque eu errei, não porque ela está nervosa. Descarga de nervosismo na criança causa insegurança e faz mal.

Nós queremos evitar que as crianças se tornem joio mais tarde. Desejamos que elas sejam trigo de Deus, boas sementes, para o bem da Igreja, da sociedade e delas mesmas. E para isso recorremos a todos os recursos da boa educação.

Maria Santíssima, ao encontrar seu Filho no Templo, depois três dias de procura, não foi logo dando bronca, julgando-se dona da razão. Pelo contrário, ela foi humilde e primeiro quis saber do menino o motivo: “Filho, por que agiste assim conosco? Olha, teu pai e eu estávamos angustiados à tua procura!” (Lc 2,48). Rainha das famílias, rogai por nós.


Eugênio Lira

Eugênio Lira da Silva nasceu em Bonfim, BA, dia 08/01/1947. Estudou no colégio dos Irmãos Maristas da cidade e, desde criança, surgiu nele o desejo de dedicar sua vida à defesa dos pobres, como fez Jesus. Formou-se advogado.

Logo que recebeu o diploma, passou a fazer parte da FETAG (Federação dos Trabalhadores da Agricultura). Como na cidade de Santa Maria da Vitória, BA, havia muitos grileiros comprando escrituras falsas de terra nos cartórios e expulsando os moradores, Eugênio mudou-se para lá.

Ele nem imaginava em que enxame de abelhas estava entrando. Logo que chegou, um fazendeiro tentou comprá-lo, para que ele fizesse o trabalho contrário: Tirasse os posseiros daquela área da qual o fazendeiro havia se apoderado.

Mas Eugênio não se vendeu. Pelo contrário, entrou a fundo no caso. Reuniu ampla documentação e o processo foi parar em Salvador.

Formou-se uma CPI na Assembleia Legislativa do Estado, para investigar a questão, e Dr. Eugênio Lira foi designado para depor nessa CPI.

Seis dias antes do seu depoimento, dia 22/10/1977, ele foi assassinado, na rua, ao lado da esposa, grávida. Eugênio tinha 30 anos. O assassino foi preso. Era um pistoleiro que confessou ter sido contratado pelos fazendeiros.

A Missa de sétimo dia foi presidida pelo bispo diocesano, Dom Grossi, o qual disse na homilia: “Conheço bem a vida do Eugênio e posso garantir que morreu um santo”.

Se Eugênio Lira não tivesse sido assassinado, viveria muitos e muitos anos, lutando pelo seu ideal. Ele foi, mas você está aqui. Todo católico deve ter um ideal na vida. Ideal é um objetivo que escolhemos para a nossa vida. É uma luz que brilha na nossa frente, e queremos conquistar. Só quem tem ideal é plenamente feliz.


A eternidade e o beija-flor

Certa vez, um líder católico falou, no Culto Dominical, sobre a eternidade. Terminado o Culto, um senhor o procurou e disse: “Eu não entendi o que você disse sobre a eternidade”. O líder levou-o até uma janela, apontou para uma grande montanha que havia na frente, de pura pedra, e disse:

“Observe esta montanha. Imagine que, de cem em cem anos, um beija-flor assenta-se lá em cima, na pedra mais alta, e esfrega o biquinho na pedra. Ele gasta um pouquinho a pedra com o seu bico. Quando o beija-flor gastar, com o seu biquinho, toda esta montanha, estará apenas começando a eternidade.”

“Se permanecer em vós aquilo que ouvistes desde o princípio, permanecereis no Filho e no Pai. E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna” (1Jo 2,24-25).


O roubo da enxada

Durante a segunda guerra mundial, um grande grupo de prisioneiros estava construindo uma estrada de ferro, em ritmo de trabalhos forçados. Eram tratados com brutalidade pelos soldados.

Um dia, sumiu uma enxada. O comandante reuniu os presos e perguntou quem foi que a roubou. Ninguém respondeu. Ele então disse que todos iam ser castigados severamente, e espancados.

Neste momento, um preso deu um passo à frente e disse que foi ele. Tocado pela fúria, o comandante o repreendeu por não ter confessado logo. E naquele mesmo instante, na frente dos colegas, espancou-o fortemente com o cabo do seu rifle. A surra foi tão forte que o pobre homem não resistiu e morreu.

Recontando, depois, as ferramentas, descobriram que não faltava nem uma enxada. Foi erro de contagem! Aquele preso não havia roubado nada. Ele simplesmente ficou com dó dos colegas e quis livrá-los da surra. Sacrificou-se pelos companheiros.

“Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15,13).


Edith Piaf

Na década de 1960, existia na França uma célebre cantora, chamada Edith Piaf. Era uma moça bonita, que tinha uma voz belíssima. Encantava a juventude.

Infelizmente, Edith contraiu uma doença grave. Ficou um bom tempo hospitalizada. Ali, no silêncio, e também devido à desconfiança de que ia morrer, a jovem começou a ver a vida com olhos diferentes. Veja algumas frases que ela escreveu aos parentes e amigos, em suas cartas:

“Eu gostaria de compreender para que levei uma vida tão absurda.” “Quero ser sincera comigo mesma. Fiz muitas besteiras. Houve ocasiões em que fui injusta, perversa e até depravada. Eu tinha todas as condições para ser feliz, e não aproveitei.” “Houve momentos em que acreditei ter encontrado a paz, mas logo ela me escapava.”

De fato, Edith não sarou, e meses depois veio a falecer. Mas morreu em paz.

Lendo hoje as cartas de Edith, percebemos que, ali no hospital, ela encontrou a paz. Seus dias mais felizes da vida foram justamente os que passou no hospital, com muitas dores físicas. Isto simplesmente porque só ali ela conseguir ser sincera consigo mesma.

É na verdade que encontramos Deus, pois ele é a Verdade. Por mais que tenhamos glórias, dinheiro, fama, amores, como teve Edith, nunca teremos paz completa, se não nos olharmos na verdade de nós mesmos.


A Comunidade N. Sra. de Fátima

Havia, certa vez, na periferia de uma cidade grande, uma Comunidade católica chamada Nossa Senhora de Fátima. As celebrações eram feitas no Centro Comunitário do bairro, já que a Comunidade não tinha um local para se reunir. O Centro Comunitário pertencia à prefeitura.

Um dia, a assistente social da prefeitura procurou a líder da Comunidade e lhe pediu que no próximo domingo avisasse o povo que aquele era o último Culto Dominical celebrado no Centro Comunitário, pois dali para frente estava proibido.

Imediatamente, a líder reuniu a equipe de coordenação da Comunidade e deu a triste notícia. Em meio à oração, tiveram uma ideia:

No domingo seguinte, no final do Culto Dominical, disseram a todos os presentes: “A assistente social nos proibiu de reunir aqui. Nós não vemos motivo para isso, já que no domingo não há atividades no Centro Comunitário. Amanhã, às oito horas da manhã, ela estará aqui. Nós, a coordenação da Comunidade, convidamos alguns de vocês para virem unir-se a nós, a fim de conversarmos com ela”.

Alguns levantaram a mão. Um senhor disse: “Se ela for irredutível, daqui mesmo iremos à prefeitura conversar com o Sr. Prefeito”.

A notícia espalhou-se no bairro inteiro. No dia seguinte, quando a assistente social chegou, estavam ali 82 pessoas adultas, sem contar as crianças. Levaram inclusive um alto-falante portátil, já preparado para animar a caminhada até a prefeitura.

Ao ver a cena, a assistente social ficou com tanto medo de perder o emprego, que tremia como vara verde. Ela pegou o microfone e disse: “Não! Não há problema! Podem continuar usando o Centro Comunitário para as celebrações. Fica o dito por não dito”.

Na verdade, a iniciativa de proibir as celebrações era dela mesma, que pertencia a uma seita evangélica.

Povo unido jamais será vencido.

Maria Santíssima foi também uma mulher corajosa e de iniciativa. Ela não teve medo de cantar um hino em que denunciava pessoas poderosas, que eram injustas com os pobres e humildes. Quando Jesus foi crucificado, apesar de quase todos fugirem de medo, ela estava “em pé, junto à cruz”. Que Maria nos ajude a usar a força da nossa união, a serviço do Reino de Deus.


A Estola inserida

Certa vez, em uma paróquia do interior do Brasil, o coordenador de uma Comunidade rural foi assassinado por um pistoleiro.

O assassino fora contratado por um grileiro, de uma cidade grande e distante, que queria apoderar-se de uma grande extensão de terras da região. Para conseguir isso, comprou, nos cartórios, escrituras falsas de propriedade de terras, e estava afastando os sitiantes através de ameaças.

Entretanto, aquele coordenador, devido à sua forte liderança na região, estava impedindo a ação injusta. Por isso, foi pego numa emboscada e morto a tiros.

Dez anos após o assassinato, a Comunidade pediu ao padre que celebrasse uma Missa no local onde ele fora morto.

E a Comunidade mandou fazer uma estola especial para a Missa. Ela trazia, de um lado, a foto do homem, e do outro, a seguinte frase: “Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida por seus amigos" (Jo 15,13).

No início da Missa, durante o canto de entrada, a viúva e os filhos do cristão exemplar levaram a estola até o Altar.

Que bom se nós também fizéssemos memória de irmãos e irmãs nossas que tombaram na luta pela justiça e pelo Reino de Deus!


 A mulher que não prestava

Certa vez, uma jovem da roça, líder da Comunidade cristã local, foi fazer tratamento de saúde em uma cidade grande. Ficou hospedada na casa de uma família de parentes, durante alguns meses.

As famílias católicas vizinhas, ao saberem do seu testemunho cristão, começaram a convidá-la para rezar o Terço em suas casas.

Ela ouviu vários comentários negativos a respeito de uma vizinha que morava sozinha. As pessoas diziam: “Naquela casa mora uma mulher que não presta”.

Entretanto, a jovem, na sua prática pastoral, não deu importância aos comentários e procurou aproximar-se da senhora.

No início, aproveitava a hora da ida da mulher para o trabalho e conversava com ela no ponto de ônibus. Dias depois, a mulher a convidou para ir à sua casa.

A jovem ouvia mais do que falava, porque percebia que a senhora sentia necessidade de falar e de se abrir com alguém.

Resultado: As duas ficaram amigas. A mulher começou a participar dos Terços, e acabou, nos vizinhos, o estigma de “mulher que não presta”. Depois que a jovem voltou para a roça, ficou sabendo que a senhora não era mais a mesma.

Precisamos ser “discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que as pessoas tenham mais vida nele”. “O amor é forte. Suas chamas são faíscas de Deus no mundo” (Ct 8,6).


O elevador da mina de carvão

Na França, existem muitas minas de carvão. Algumas estão muito abaixo do nível da terra e ficam a até 200 metros de profundidade.

Numa tarde, após o serviço, um minerador procurou um sacerdote para expor seus problemas e pedir orientação. O padre sugeriu: “Por que o senhor não se confessa e não pede a Deus o perdão de seus pecados?”

Ele respondeu: “Eu não consigo acreditar que a Confissão perdoa os nossos pecados. O padre apenas faz uma cruz e diz algumas palavras! Parece-me barato demais”.

O padre lhe disse: “Sei que o senhor trabalhou hoje, lá embaixo da terra. Como que o senhor saiu de lá?”
- “Pelo elevador da mina!” respondeu o homem.
- “E o senhor pagou alguma coisa?”
- “Não. O elevador é da firma em que trabalho”.
- “Ficou com medo do elevador quebrar e o senhor cair lá embaixo?”
- “Também não. Ele é seguro”.

Nessa hora, o sacerdote explicou: “Imagine se o senhor ficasse lá embaixo! Na verdade, o elevador lhe prestou uma ajuda enorme, e de uma forma muito simples. Assim é a Confissão: O efeito é muito grande, mas a maneira de administrar é rápida e simples”.

Foi Jesus que instituiu o sacramento da Confissão. Ele disse aos Apóstolos: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio’. Então soprou sobre eles e falou: ‘Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, serão perdoados; a quem os retiverdes, ficarão retidos” (Jo 20,20-23).


Edel Quim

Edel Quim nasceu na Irlanda, no começo do Séc. XX. Era uma garota muito bonita. Desde que fez a primeira Comunhão, ela recebia frequentemente a Eucaristia.

Ainda bem jovem, entrou na Legião de Maria, onde caminhou a passos largos na fé e na santidade. Apesar de cobiçada por muitos rapazes, Edel decidiu não se casar, a fim de se dedicar, tempo integral, à Legião de Maria.

Em 1936, quando tinha 29 anos, Edel foi enviada para a África, a fim de difundir por lá a Legião de Maria. Conseguiu implantar o movimento em seis Países africanos: Quênia, Tanganica, Uganda, Niassalândia, Zanzibar e na ilha Maurícia.

Depois de dez anos na África, quando se preparava para iniciar a Legião em Nairobi, Edel contraiu a Tuberculose, que naquele tempo não tinha cura. Mesmo doente, a sua alegria e o seu entusiasmo não diminuíram.

Após sua morte, os legionários do Kênia foram a Nairobi e, com muita facilidade, implantaram a Legião naquele País.

Podemos dizer que Edel Quim assemelhou-se a Jesus Cristo, dando também a vida pelos irmãos.

Aconteceu com ela o que Jesus disse: “Quem me come viverá por mim” (Jo 6,56). Esse “por” é no sentido de “a partir de”. Quem comunga terá o impulso vital de Jesus, pois se torna um só corpo com ele. “Amar como Jesus amou, pensar como Jesus pensou, sentir o que Jesus sentia, viver como Jesus viveu” (Pe.Zezinho).

Edel Quim imitou também a Mãe de Jesus, já que o seu grupo chama-se Legião de Maria. Maria Santíssima e Edel Quim, rogai por nós.


Garoto renova matrícula

Certa vez, um menino de doze anos foi à escola, a fim de renovar a sua matrícula. Seria papel dos pais, mas estes estavam muito ocupados naquele primeiro dia de matrícula, e o garoto, ansioso para se matricular, pediu para ir sozinho.

Na hora de preencher a ficha, a professora fez-lhe umas perguntas, a fim de saber se a família tinha condições de ajudar a cobrir os gastos da escola:
- “Seu pai trabalha?”
- “Sim”.
- “E seus irmãos, trabalham?”
- “Sim”.
- “E sua mãe, trabalha?”
- “Não”.
- “Quem lava a roupa de vocês?”
- “A mamãe”.
- “Quem faz a comida?”
- “A mamãe”.
- “E quem limpa a casa?”
- “A mamãe”.
- “Sua mãe faz tudo isso e não trabalha?”

O menino ficou envergonhado. Sentiu vergonha de si mesmo, pela falta de reconhecimento ao trabalho da sua mãe. Chegando em casa, deu-lhe um abraço e contou o diálogo que teve com a professora. “Foi uma nova aula que tive hoje”, disse ele.

Nós podemos continuar essa “aula”, dizendo que a mãe faz tudo isso de graça. Nunca cobra de ninguém. Por isso que dá impressão de que ela não trabalha. A nossa sociedade é machista, e só dá valor a quem ganha dinheiro.


O elefante e a formiga fazem parceria

Certa vez, um elefante estava no deserto, ao pé de uma grande árvore, e com muita fome, pois não havia comida para ele naquele lugar. A árvore era muito alta e ele não alcançava as folhes para comê-las.

Viu no chão uma formiga e se abriu com ela: “Eu quero ir embora daqui, mas antes preciso me alimentar, senão não aguento a viagem”.

A formiga lhe disse: “Eu também quero ir embora, porque aqui faz muito calor. Só não vou porque não consigo caminhar sobre esta areia quente”.

O elefante então lhe propôs uma parceria: “Vamos fazer o seguinte: Você sobe na árvore e corta algumas folhas para mim. Depois você sobe nas minhas costas e nós iremos para outro lugar”.

Em pouco tempo, a formiga havia cortado o talo de uma folha e esta caiu. Em seguida, vieram outras.

Depois que o elefante estava saciado, a formiga subiu nas suas costas e os dois foram para um oásis. Areia quente não é problema para elefante.

Não importa se somos grandes ou pequenos. O importante é nos amarmos com sinceridade e nos ajudarmos uns aos outros.


Diógenes pede sol ao rei

Diógenes foi um grande filósofo que viveu em Corinto, na Grécia. Morreu no ano 323 A/C.

Um dia, o rei, Alexandre, ficou tão entusiasmado com as teses de Diógenes, que o procurou e disse: “Peça-me o que você quiser que eu lhe darei. Mesmo que seja a metade do meu reino”.

Diógenes respondeu: “Está bem. O meu pedido é que o senhor fique um pouco de lado para que o sol possa bater em mim”.

Todas as pessoas querem ter um lugar ao sol, isto é, usufruir dos benefícios do progresso e da tecnologia e poder escolher o próprio caminho.

“Aquele que ouve a Palavra e não a põe em prática é semelhante a alguém que observa o seu rosto no espelho. Sai dali e logo esquece como era a sua aparência. Aquele, porém, que se debruça sobre a Lei perfeita, que é a liberdade, e nela persevera... esse será feliz” (Tg 1,23-25).


O homem que queria ficar rico

Havia, certa vez, um homem que queria, a todo custo, ficar rico. Um dia, ele saiu pelo mato, a procura de uma pedra de diamante. Colocou comida na sacola, e embrenhou-se na floresta.

Depois de andar vários dias, encontrou uma pedra, que não tinha valor nenhum, mas ele achava que era diamante. Tentou voltar para casa, mas viu que estava perdido. Sem comida e sem água, pegou um papel e uma caneta e escreveu: “Sei que vou morrer. Mas morro muito rico”.

De fato, ele morreu. Dias depois, seu corpo foi localizado. Em uma das mãos estava a pedra e, na outra, o bilhete.

“Não ajunteis tesouros aqui na terra, onde a traça e a ferrugem destroem e os ladrões assaltam e roubam. Ao contrário, ajuntai para vós tesouros no Céu” (Mt 6,19-20).


O dente de elefante

Certa vez, um senhor foi passear na África e ganhou um dente de elefante. Gostou do presente. Dali para frente, ele passou a carregar aquele objeto para onde ia, junto com a sua bagagem, com cuidado para não ser roubado, pois é puro marfim. Pensava dia e noite na segurança do seu dente de elefante.

Depois de vários dias, em um aeroporto, o homem descuidou-se e lhe roubaram o dente de elefante. Na hora, ele ficou triste. Mas depois percebeu que foi um alívio. Aquele dente de elefante estava acabando com o seu passeio.

Nós temos os nossos “dentes de elefante”. São objetos dos quais nunca precisamos, mas continuamos apegados. Que bom se tivéssemos um coração desapegado, preso somente em Deus e no desejo de fazer a sua vontade! Seríamos muito mais felizes, e também as pessoas ao nosso redor.

Os apegos a objetos inúteis fazem parte da estratégia do tentador, a fim de nos levar para o grupo dele.

Antes da Anunciação, Maria Santíssima possuía uma única riqueza: A graça de Deus. “Alegra-te, cheia de graça! O Senhor está contigo” (Lc 1,28). Mãe dos pobres, rogai por nós.


Para comungar, criança arranca dentinho

Certa vez, uma garotinha de cinco anos queria de toda maneira comungar. Ela foi pedir para o padre. Este lhe disse que ainda não tinha idade, estava novinha.

Ela perguntou quando poderia receber Jesus. O padre apontou para os seus dois dentinhos de leite, que ainda sobravam na boca, e disse, brincando: “Quando você perder esses dois dentinhos aí”.

A menina despediu-se e foi para casa. Escondida da família, pegou um alicate e arrancou os dois dentinhos. Em seguida voltou à igreja e, sem perceber que estava com a boca ensanguentada, falou para o padre: “Agora eu posso receber Jesus?”


Esta menina fez um erro, evidentemente. Mas mostrou o seu grande amor a Jesus e à Eucaristia.

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